quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Devagar que tenho pressa

Despiste provocou ainda duas feridas ligeiras
Sete mulheres mortas em acidente de viação
16.09.2009 - 15h10 Lusa, PÚBLICO, com Lusa

Ainda fico surpresa com notícias destas. Se calhar não devia. A maioria das pessoas parecem estar indiferentes à TV, às imagens chocantes, às campanhas de prevenção.
Tantas campanhas publicitárias que se fazem e, mesmo assim, tantas pessoas morrem diariamente nas estradas de todo o mundo. Para quê? Alguém aprende com isso? Pelos vistos não... Ainda assim, em Portugal o número de acidentes rodoviários continua particularmente elevado, bem como o número de vítimas. Quando não morrem, as consequências são mais que muitas: famílias desfeitas, vidas destruídas, sonhos arruinados. Quando penso um pouco nos prejuízos físicos e psicológicos que um acidente de viação traz reconheço que são incalculáveis. Por isso, é nosso dever apostar na prevenção, bem como numa educação de civismo e bom senso. Partindo do pressuposto que o perigo começa assim que pegamos num carro, há regras básicas. Regra de ouro mesmo é não conduzir depois de beber. As razões que podem levar ao acidente já são suficientes: baixa aderência, excesso de velocidade, falta de distância entre veículos, aparecimento inesperado de obstáculos, etc.Se sabemos que vamos precisar do veículo depois de beber, arranjar métodos alternativos. Porquê? E porque não? A viagem de táxi é cara? Vão de autocarro. Não há autocarro depois para voltar? Vão de bicileta. Mas está a chuver? Telefonem a um amigo que não vá beber e peçam-lhe boleia. Todos vão beber e ninguém me pode trazer? Então não vás à festa... Muito simples!A vida é feita deste tipo de opções.
No meu dia-a-dia procuro adoptar uma condução defensiva de modo a evitar acidentes.Os acidentes não são fruto do acaso ou de destino, e é errado pensar que o condutor nada pode fazer para os evitar. Para quem não sabe, uma condução defensiva baseia-se na capacidade de Observar - Antecipar - Controlar. O condutor deve actuar sempre de forma a pôr em primeiro lugar a segurança, pelo que a condução deve ser responsável, cuidadosa e ter em conta os erros dos outros. Não surpreender e não se deixar surpreender (ver e ser visto). A comunicação que os condutores têm ao seu alcance para com os outros utentes da via é estabelecida através a utilização dos dispositivos de sinalização luminosa (piscas) e de iluminação (luzes), sendo também permitido a utilização dos sinais sonoros (de dia, em caso de perigo iminente, ainda fora das localidades, para advertir e prevenir os outros condutores da intenção de ultrapassar, bem como nos cruzamentos, entroncamentos, curvas e lombas de visibilidade reduzida). Esta linguagem quando utilizada correctamente, deve ser percebida, compreendida e repeitada. É importante que haja comunicação para não surpreender. Para não se ser surpreendido, o condutor deve estar atento e concentrado na tarefa que tem de desempenhar. Para isso deve estar sempre alerta, através de uma observação constante do meio envolvente, de forma a identificar possíveis situações de risco e prever o que pode acontecer, e obter condições para antecipar a decisão, que esse mesmo risco pode constituir. Por fim, outra forma de evitar problemas é a pessoa executar adequadamente, com precaução e com a calma suficiente, a fim de evitar que aconteça o acidente.
Na minha opinião, o bom senso e o civismo não são obrigatórios mas deviam. O termo civismo refere-se a atitudes e comportamentos que os cidadãos manifestam no dia-a-dia na defesa de certos valores e práticas assumidas como fundamentais para a vida coletiva, visando a preservar a sua harmonia e melhorar o bem-estar de todos. Mas isso já depende da educação de cada pessoa. A arrogância de certas individualidades não as deixa ver que vivemos em sociedade e, como tal, as regras são para ser cumpridas.
Quantas vezes no nosso quotidiano verificamos que fazemos mal as coisas, principalmente se estamos com pressa. Na condução andar com pressa pode ser motal. Sempre gostei de uma frase de Napoleão Bonaparte e cada vez que estou com pressa repito-a vezes sem conta, "Devagar que tenho pressa".